16 SET 2016 Clássico dos MIL CAUSOS Vinícius Conrad
O clássico BaGua é um dos maiores do MUNDO e vamos citar alguns motivos para que tu acredite!

O clássico BaGua é um dos maiores do MUNDO e vamos citar alguns motivos para que tu acredite!

Um mate recém cevado e muitas histórias para contar. Escrever sobre o clássico BaGua é uma honra. Ainda mais na Semana Farroupilha. O derbi com tantos causos terá mais um capítulo neste domingo (18) quando os dois clubes de Bagé estarão peleando no estádio Estrela D’alva. Há quem diga que será a oportunidade do gol mil ser marcado e há quem conteste. O fato é que a dúvida abre a possibilidade de relembrar alguns episódios da série acredite se quiser.

Disputado pela primeira vez em 31 de julho de 1921, tinha até vivente na súmula com nome GURI. Também teve o Estanislau, o Lucídio, o Ratão, o Lagarto e o Greco. Com dois tentos para cada lado, o duelo terminou empatado. Com 10 vitórias a mais, o Guarany será o anfitrião do confronto que ficará marcado como mais uma revanche, já que o índio acabou de conquistar o acesso para Segundona e o jalde-negro continuou na Terceirona. Porém, a diferença de divisão só apimentou. No primeiro arranca rabo pela Super Copa Gaúcha, não foi jogo de compadre e nunca será. Jogando em casa, o Bagé venceu por 2 a 1 e tivemos polêmicas pós jogo entre os adversários nas redes sociais. Alfinetada daqui, confusão de lá, a verdadeira resposta só pode ser dada dentro das quatro linhas.

O clássico com o maior número de confrontos da história do futebol do Rio Grande do Sul tem tantos causos que até o pescador contador de peripécias ficará com ciúmes. Já tivemos BaGua em Porto Alegre, em Pelotas, mas nenhum conseguirá chegar perto da tradição do dia em que a sua disputa foi parar na justiça. Foi lá em 1988, quando torcedores se reuniram para pelear usando bota, bombacha e espora. Mais adiante, a partida foi, inclusive, realizada como jogo preliminar em alguns jogos oficiais da dupla. Nesses jogos, o juiz arbitrava a partida montado no cavalo servindo de modelo a toda terra. Alguns tradicionalistas não aprovaram a atitude e azedou a marmita. Tiveram até que dar explicações aos homens da lei. Para comprovar, temos até foto!

Juiz arbitrando clássico BaGua montado no cavalo e os jogadores usando bota, bombacha e espora.

Juiz arbitrando clássico BaGua montado no cavalo e os jogadores usando bota, bombacha e espora.

O Guarany comemora a recente goleada por 4 a 0 sobre o Bagé, mas o jalde-negro guarda uma bola de 1940 até hoje. Deram até nome para peronha: “a bola 7“. Uma homenagem para o placar mais elástico da história: 7 a 0. Também se orgulham do gol dos 70 metros, que foi um tento marcado em 1953. O índio tinha como goleiro, o lendário argentino Juan Héctor Lugano, considerado uma fortaleza no gol alvirrubro, até o clássico daquele ano. O zagueiro jalde-negro, João Nascimento, cobrou uma falta antes do meio do campo. A bola voou por todo o Pedra Moura, e acabou entrando na meta de Lugano resultando na vitória dos donos da casa por 1 a 0.

E o clássico que durou apenas 10 minutos? Domingo será dia 18 de setembro e nesta data, só que em 1941, também foi dia de jogo entre os clubes. O árbitro Lourival Bueno expulsou o astro Tupan que fez história no Bagé. Os jogadores e dirigentes do jalde-negro foram para cima do tio do apito que resolveu suspender a peleia. A Liga da cidade teve que julgar os incidentes suspedendo Tupan por três partidas, Hélio Pimentel por seis jogos e o Bagé foi multado em 500 mil RÉIS.

Não deu nem para dançar a valsa dos 15 anos e já tivemos outro clássico interrompido com apenas 16 minutos. Em 5 de agosto de 1956, o juiz marcou um pênalti contra o Bagé que ocasionou uma briga generalizada. O Guarany abandonou o campo e destinou sua parte na renda para instituições de caridade. O Bagé, também em nota oficial, criticou a postura do adversário, dizendo que dirigentes do Guarany invadiram o gramado e determinaram aos jogadores que deixassem o campo. Com o jogo suspenso, a Federação determinou nova partida, com 90 minutos, começando a partir da cobrança da penalidade. Carlos Calvete marcou o primeiro dos gols para o Guarany, que acabou vencendo por 4–1 e festejando o título, quebrando a possibilidade do Bagé ser hexa.

Também teve um clássico que não chegou ser encerrado, mas o árbitro abandonou o jogo e precisou ser substituído. A peleia aconteceu em 25 de novembro de 1951 e o árbitro Heitor Calvete não gostou das provocações de um torcedor do Guarany e se negou voltar para o segundo tempo. Agostinho Félix de Souza foi o árbitro na etapa complementar e o índio venceu o derbi por 2 a 1.

Se alguém ainda não tiver satisfeito com as histórias, também podemos relembrar o clássico decisivo de 1964 que terminou empatado em 1 a 1 e fechou o laço após o término da peleia. A Brigada Militar efetuou diversos disparos para o alto para tentar conter as torcidas e o episódio virou manchete no jornal Folha da Tarde como “BaGua dos 100 tiros“, que acabou batizando definitivamente aquele confronto.

Recentemente pela Terceirona, vários jogadores do Bagé tiveram caxumba e o Guarany entrou em campo sem o adversário. Mais um duelo que acabou nos tribunais. Portanto, passam os anos, jogadores e também os campeonatos, mas a rivalidade nunca mudará e estaremos acompanhando de perto para contar aos fanáticos pelo futebol gaúcho. Domingo tem mais…

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