04 MAR 2014 Um olho na bola, outro na guerra Vinicius Peraça

“Só quero uma oração forte para que tudo isso aqui na Ucrânia passe logo.” (Foto: Divulgação/FCSD)

A ameaça de uma guerra na Ucrânia espalha medo entre a comunidade brasileira residente no país. Entre eles está o pelotense Taison, jogador do Shakhtar Donestk. Ele conversou com exclusividade com o Reportchê.

“Só quero uma oração forte para que tudo isso aqui na Ucrânia passe logo.” Com essa mensagem postada no Facebook já na madrugada de terça-feira em Donetsk, o atacante pelotense Taison, do Shakhtar, foi dormir sob a tensão que domina o país nas últimas semanas.

Reportchê falou por cerca de 40 minutos com o jogador. Eram 21h15 no Brasil (2h15 de terça em Donetsk) quando Taison, ao lado da namorada Gabriela, conversaram com nossa reportagem sobre a situação vivida por ele nos últimos dias na Ucrânia.

Há quatro anos no país, desde que deixou o Internacional em 2010, o atacante diz manter contato diário com a mãe e os irmãos, que ficaram no Brasil. De olho nos noticiários sobre os protestos e as ameaças de intervenção russa na guerra civil, diz manter a todos informados sobre cada acontecimento.

Taison conta que, embora o cenário em Donetsk seja de tranquilidade, ele e todos os companheiros brasileiros da equipe já sabem exatamente o que fazer caso o clima se transforme. “Estamos de sobreaviso, o embaixador brasileiro está aqui. O clube também nos deixou avisados de como agir. Qualquer coisa que acontecer teremos um avião nos esperando”, conta. O Shakhtar é o mais verde-e-amarelo dos clubes europeus, com 11 atletas brasileiros.

Com o campeonato ucraniano parado desde dezembro, ele e outros jogadores que não estão servindo às suas seleções nacionais apenas treinam no clube sem saber quando voltarão a jogar. A federação de futebol segue orientação do Ministério do Interior e adiou por tempo indeterminado a volta dos jogos no país para evitar reunir muita gente nas principais cidades.

ESPERANÇA DE FIM DE CONFLITO

Mesmo sabendo que a qualquer momento pode ter que deixar a Ucrânia às pressas, Taison não tem planos de ficar no Brasil. Sua expectativa é que tudo volte ao normal em breve, mas caso seja obrigado a pegar o avião que está à disposição dos brasileiros, diz que retorna “em seguida” para voltar a jogar.

“Eu espero que tudo isso termine logo. Estou aqui há quatro anos, é um país bom de viver. Isso tem que acabar para que logo o povo volte a sorrir e as crianças a brincar”, diz, esperançoso.

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